
Não se pode começar algo pensando que um dia terá fim. Às vezes o fim chega, brinca de esconde-esconde, se entranha nas fibras do medo da perda e da saudade antecipada e a gente o perde de vista. Mas o sofrimento reside justamente em não reconhecer o fim como parte da vida, parte de um ciclo infinito de ganhos e perdas. Que adianta prolongar se acabou? Adianta arrastar o insolucionável e o irremediável? Não há conserto para o cristal trincado; a dor é não saber aceitar com resignação que, sim, nossa realidade é muito diferente das expectativas prévias e tem horas que não há nada a ser feito. Resignar é uma virtude. Deixar coisas e pessoas irem embora é encontrar a paz de espírito.
Cartão Postal
Rita Lee
Pra quê sofrer com despedida,
se quem partir não leva nem o sol, nem as trevas
E quem fica não não se esquece tudo o que sonhou?
Eu sei, tudo é tão simples que cabe num cartão postal
E se a história de amor não acabou tão mal
O adeus traz a esperança escondida
Pra quê sofrer com despedida
Se só vai quem chegou e quem foi vai partir?
Você assim, se lamenta, depois vai dormim
Sabe, alguém quando parte,
é porque outro alguém vai chegar
Num raio de lua, na esquina, no vento ou no mar
O adeus traz a esperança escondida
Pra quê?
Sabe, alguém quando parte,
é porque outro alguém vai chegar
Num raio de lua, na esquina, no vento ou no mar
Pra quê querer ensinar a vida?
Pra quê sofrer?